terça-feira, 23 de julho de 2013

PAPAricando!

O Papa Francisco chegou ao Brasil, para participar da Jornada Mundial da Juventude, do dia 23 à 28 de julho, no Rio de Janeiro. Como era de se esperar, todas as atenções estão voltadas à sua presença em terras tropicais, todos os noticiários só falam disso, a multidão se aglomera para vê-lo etc.

Mas quem era o Papa antes de ser o soberano de toda “Santa” Igreja? Em poucas palavras: um cardeal argentino chamado Jorge Mario Bergoglio, que 99% dos brasileiros nunca tinham ouvido falar. Se ele andasse em ruas brasileiras na condição de cardeal, era só mais um homem de batina...

Nada contra a pessoa do Papa Francisco, que tem dado uma verdadeira lição de simplicidade e amor ao próximo, rejeitando todos os objetos banhados a ouro oferecidos pela Igreja e também às regalias inerentes ao sumo pontífice, e que adotou o nome de um dos mais humildes santos católicos para seu papado, mas o problema é o excesso de paparicos da sociedade brasileira e sua necessidade de idolatrar figuras famosas.

Parece que o Brasil parou no tempo, com o seguinte pensamento: esqueçam um pouco os problemas sociais e políticos do país (que não são poucos), e vamos venerar o Papa! Mulheres histéricas gritando seu nome (e homens também), fazendo de tudo para tocar na mão do santo padre, chorando, correndo atrás do carro transeunte numa avenida congestionada, colocando em risco a vida deles e das outras pessoas (não é fácil ser agente da PF nessas horas).  Mas tenho uma revelação a fazer, que o próprio Deus me disse num email, em negrito itálico (documento confidencial, no melhor estilo Pepeu Gomes*): o señor Jorge Mario Bergoglio, atual Papa Francisco, é apenas um homem, e não uma divindade!

Deve ser duro para um católico fervoroso ouvir isso, porém, é a pura verdade! Não amigos, ele não é a reencarnação de Moisés, Elias, Abraão ou Jesus, tampouco foi concebido por uma virgem, pelo poder do Espírito Santo e tudo mais... Ele é um homem comum, mas que agora tem uma enorme responsabilidade: a de conduzir e reconduzir a Igreja Católica ao seu verdadeiro caminho, uma instituição que está abatida por escândalos de pedofilia, corrupções e brigas internas pelo poder. Restaurar a credibilidade perdida por conta de erros seculares não será tarefa fácil, pois além dos problemas contemporâneos, o passado da Igreja é manchado com sangue inocente pelas barbáries da Inquisição, das cruzadas, roubo de terras, cobrança de indulgências, omissão do nazismo e muito mais. O Papa Francisco mostrou-se um homem admirável e merecedor de todo nosso respeito, até por ser o primeiro papa latino americano da história.

Entretanto, ao se tornar popular, ou melhor, pop, o Papa Francisco acaba sendo também alvo de críticas e de uma idolatria totalmente exagerada por parte dos fiéis, que não o enxergam mais como um homem comum, que cometeu acertos e erros. Sua vida agora é de uma celebridade, arrastando multidões por onde passa e sua voz tem forte influência nas pessoas, mas como líder, seu foco é outro, e ele não pode deixar se levar pelo pop que não poupa ninguém.

Como o “engenheiro dos pampas” Humberto Gessinger nos disse, o papa é pop! POP como o cantor sertanejo que vai ao Faustão agradar um público letárgico; POP como o reality show que faz as pessoas mandarem um SMS para escolher seu “brother” preferido; POP como a doença do artista ou do político, onde todos rezam/oram por sua recuperação; POP como a novela e o futebol, que rendem debates nos dias seguintes...

Mas antes de ser Francisco, Jorge não era POP, e sim apenas um rapaz latino americano...


*Pepeu Gomes disse ter falado com Deus através de um email

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