quarta-feira, 12 de junho de 2013

O abutre das lentes

Kevin Carter foi um fotojornalista sul-africano, nascido em 13 de julho de 1960. Viveu na África do Sul durante o período do Apartheid (regime separatista racial que começou em 1948 e perdurou até 1994).


Começou a trabalhar como fotojornalista esportivo em 1983, nos fins de semana.  Em 1984, trabalhando no jornal Johannesburg Star, empenhou-se em denunciar as atrocidades do Apartheid. A primeira monstruosidade presenciada e fotografada por Kevin Carter foi uma execução necklacing, que consistia em colocar um pneu encharcado de gasolina em um negro (na altura do peito e dos braços) e atear fogo. A vítima era uma mulher chamada Maki Skosana, que foi acusada de manter um relacionamento com um militar. Sobre esse triste episódio, Kevin Carter disse:

"Fiquei chocado com o que eles estavam fazendo, eu estava chocado com o que eu estava fazendo, mas, em seguida, as pessoas começaram a falar sobre as fotos... então eu senti que talvez minhas ações não tivessem sido de todo ruins. Ser testemunha de algo tão horrível não era necessariamente uma coisa ruim a se fazer".

O fato que marcaria para sempre a vida de Kevin aconteceria em 1993. Nesse ano, ele e mais três fotógrafos, conhecidos como “Clube do Bang-Bang” (por fazerem cobertura fotojornalística em situações violentas) foram até o Sudão, para registrarem a guerra civil que assolava o país (que só acabaria em 2005). Perto de um campo de refugiados da ONU, ele viu uma criança, extremamente desnutrida, sendo observada por um abutre. Kevin retratou a cena, e essa foto chocante percorreu o mundo inteiro, dando a ele o Prêmio Pulitzer daquele ano. Era para ser a consagração definitiva do trabalho de Kevin Carter, não fosse a seguinte pergunta: o que você fez depois da foto?



Kevin respondeu “nada”, e pegou sua camera e foi embora. A repercussão dessa declaração foi totalmente negativa para ele, e o jornal americano St. Petersburg Times o comparou ao abutre que observava a criança:

“O homem ajustando suas lentes para capturar o enquadramento exato daquele sofrimento poderia muito bem ser um predador; um outro abutre na cena.”

Depois disso, Kevin Carter entrou numa depressão profunda. Ele disse, em uma carta póstuma, que era atormentado por imagens de violência e de crianças famintas, além da crise financeira que vivia naquele momento. No dia 27 de julho de 1994, em Joanesburgo, cometeu suicídio, colocando uma mangueira no escapamento de sua caminhonete e a outra extremidade dela na janela ao lado do passageiro, e foi intoxicado. Na carta deixada, ele disse:

“Estou deprimido... sem telefone... dinheiro para o aluguel... dinheiro para sustentar as crianças... dinheiro para dívidas... dinheiro!... Estou assombrado pelas vívidas memórias de mortes e cadáveres e raiva e dor... de morrer de fome ou de crianças feridas, de loucos com dedos no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos assassinos... eu tinha que ter ido junto com Ken (Ken Oosterbroek, seu colega fotógrafo que havia falecido há pouco tempo) se eu tivesse a mesma sorte.”

Porém, a criança daquela foto marcante sobreviveu. Em 2011, o jornal espanhol “El Mundo” resolveu investigar e constatou que o menino, cujo nome era Kong Nyong, havia sido atendido pela equipe de ajuda humanitária da ONU, quando Kevin Carter tirou a foto. No braço do menino, visível na foto, existe uma pulseira branca, que comprova o fato. Kong veio a falecer em 2006, decorrente de uma infecção.

Será que Kevin Carter realmente foi um “abutre com lentes”, usando o sofrimento alheio para tentar se promover, ou foi um homem que pensou em mudar o mundo, usando a máquina fotográfica como arma para denunciar as injustiças? Uma questão polêmica e complexa, que depende apenas de um entendimento: do SEU!


sexta-feira, 24 de maio de 2013

A guerra contra o crack

Um problema que se alastra pelo país e que parece não ter solução é o das drogas, e em especial, do crack. O surgimento das “cracolândias” em todas as cidades do Brasil tornou-se bastante comum. É uma droga letal, que age em aproximadamente 10 segundos no sistema nervoso do usuário, tornando-o um dependente já no primeiro uso. É uma mistura de cocaína com bicarbonato de sódio, e seu nome provém do verbo “to crack” (em inglês), que significa “quebrar”, por conta dos pequenos estalos que ela produz na hora do consumo. O efeito do crack dura de 3 a 10 minutos, causando grande euforia em quem usa, e depois disso, gera uma grande depressão, fazendo com que a pessoa volte a usar. Ela afeta diretamente o cérebro, causando paranoias, alucinações e diversos transtornos psicológicos, afetando o comportamento das pessoas e tornando-as bastante agressivas.

Por ser uma droga mais barata que a cocaína, o número de usuários de crack tem crescido gradativamente, criando as famosas “cracolândias” em terrenos baldios e debaixo de viadutos. Além de haver muitos usuários adultos, o mais triste é vermos o enorme número de crianças que se tornam dependentes dessa droga, e também de mulheres grávidas, onde o consumo constante da gestante faz com que o bebê nasça com a dependência química.

Em abril desse ano, o governo de São Paulo tomou uma atitude drástica para combater o uso do crack: a internação compulsória (contra a vontade) dos dependentes. Para muitos, essa ação foi uma violação da liberdade dessas pessoas, e para outros (me enquadro nesse grupo), foi uma providência indiscutivelmente necessária. O governo tem de agir desta forma, e não deixar as ruas se tornarem redutos de viciados. Dráuzio Varella, conceituado médico brasileiro, fez a seguinte declaração em uma reportagem para a Folha de São Paulo sobre o tema:

“Sempre faço uma pergunta nessas conversas: Se fosse sua filha naquela situação, você deixaria lá para não interferir no livre arbítrio dela?

Eu, se tivesse uma filha grávida, jogada na sarjeta, nem que fosse com camisa de força tiraria ela de lá.

Quando vemos essa discussão nos jornais, parece que estamos discutindo o direito do filho dos outros de continuar usando droga até morrer. São uma argumentação frágil, jargões vazios, de 50 anos atrás. Eu fico revoltado com essa discussão inútil.”

É preciso deixar de lado essa demagogia de “infringir a dignidade” dos usuários de drogas. Essas pessoas estão doentes e precisam de tratamento, e se não querem se tratar por vontade própria, infelizmente a internação compulsória é o caminho. Como o próprio Dráuzio indagou, em outro trecho da entrevista, “que dignidade tem uma pessoa na sarjeta daquela maneira?”

Outra grande medida para ajuda aos dependentes é o vulgarmente chamado “bolsa crack”. Quando o usuário concorda com a internação em uma clínica, ele é cadastrado e essa clínica recebe do governo do Estado R$ 1.350,00 para custeio do tratamento. Esperamos que essas ações tenham grandes resultados no futuro, uma vez que esse é um problema a ser resolvido em longo prazo.

A situação é tão alarmante que até índios estão se tornando usuários de crack. Infelizmente a cultura sórdida da sociedade está rompendo toda e qualquer fronteira, atingindo até quem parecia alheio a esses problemas.

Para mudar esse quadro, cabe ao governo, em todas as esferas, investir pesado na EDUCAÇÃO, para que nossas crianças cresçam longe desse perigo. A questão das drogas deve ser levada às escolas, para que todos saibam dos seus efeitos devastadores, assim como tem de criar e intensificar medidas de combate ao tráfico e a violência proveniente disso, mas também é nossa obrigação fazermos de tudo para não deixarmos nossos filhos, irmãos, sobrinhos, pais, mães e todos a quem amamos seguirem esse caminho, que muitas vezes parece não ter volta! Por ser um problema social, temos de começar a corrigi-lo dentro de nossos lares, e se não houver a mobilização de todos os segmentos da sociedade, esta guerra estará perdida!

Essa luta é de todos nós!


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Nicolás, seja maduro!

A eleição presidencial na Venezuela foi vencida por aquele que todos esperavam: Nicolás Maduro!

Nicolás Maduro era o braço direito de Hugo Chavez. Antes de ser o vice-presidente da Venezuela, ele era motorista particular de Chavez, e assim como ele, deixa a sensatez de lado em várias ocasiões, e usa de desculpas descabidas para ludibriar as pessoas, além de também usar a figura do capitalismo para justificar os erros cometidos pelo governo. Eis alguns de seus discursos:

“O cancer de Chavez foi causado pelos Estados Unidos...”

Como disse no texto “Solo tienes loco aquí em America”, para mim isso é um marasmo intelectual, totalmente desprovido de coerência! Não sei como, em pleno século XXI, ainda pode haver esse tipo de discurso, mas o que acaba sendo pior é a aceitação desses argumentos por parte da sociedade.
“De repente entrou um passarinho, pequenininho, e me deu três voltas aqui em cima (sob a cabeça). O pássaro (continuou Maduro, um pouco emocionado) parou em uma viga de madeira e começou a cantar, um assobio lindo", disse, imitando-o."Fiquei vendo-o e também cantei para ele. O passarinho me estranhou? Não. Cantou um pouquinho, deu uma volta e foi embora, e eu senti o espírito dele, de Hugo Chávez.” (discurso dado durante às eleições)
Um presidente que conversa com pássaros? Acho que se o Richard Rasmussen, apresentador do Aventura Selvagem, do SBT, se candidatasse à presidência da Venezuela, ele teria grandes chances de vencer o pleito! Usar a memória do falecido presidente para comover o povo, para mim, é oportunismo barato e um verdadeiro jogo sujo de sentimentalismo! É melhor nem comentar mais nada sobre essa citação, o conteúdo em si já diz tudo...

"Convoco o povo para lutar pacificamente, para se mobilizar em todo o país... Já chega de abusos! Estão tentando violar a maioria... convocamos (a oposição) a respeitar a vontade popular." (declaração dada após o término da eleição)

Nicolás Maduro venceu Caprilles por uma pequena margem percentual na eleição presidencial, e a diferença total foi de apenas 200.000 votos (menos de 2%). Caprilles não reconheceu a vitória do adversário e exigiu a recontagem dos votos, que lhe é um direito permitido. O chefe do judiciário da Venezuela se negou a fazer a recontagem, e disse ser impossível contar novamente os votos. Esse foi o motivo pelo qual muitos manifestantes foram às ruas venezuelanas protestar, e no confronto com a polícia, 7 pessoas morreram. Nicolás Maduro atribuiu a Caprilles a responsabilidade pela violência cometida. Tudo isso poderia ser evitado caso a recontagem fosse efetuada (isso sim é um abuso e uma violação), e essa rejeição causou uma mancha negra na democracia venezuelana (se é que de fato existe).

Por conta desse pensamento ultrapassado e um perfil longe da idoneidade, a Venezuela pode esperar, infelizmente, por dias piores. Um país rico em petróleo, que poderia estar em plena ascensão, fica completamente estagnado no tempo por conta de uma política 3I: ignorante, incapaz e insolente! O presidente eleito, na minha opinião, é maduro apenas no nome, pois não passa de um fantoche imaturo criado por Hugo Chavez. A Venezuela, por ser um país em expansão, precisa de um presidente audaz e inovador para fazê-la crescer, que atenda verdadeiramente as necessidades do povo, criando um bom plano econômico para geração de empregos, que respeite a liberdade de imprensa, a oposição, as classes sociais etc, como numa democracia de verdade, e não de lunáticos que fazem apenas o país regredir. O chavismo está fadado ao fracasso, pois a Venezuela está se tornando uma “Nova Cuba”. (se eu estiver errado, com muito prazer eu farei uma retratação)

Se Caprilles é o homem certo para a prosperidade da Venezuela, isso é outra história, e já que o povo venezuelano assim escolheu (se é que não houve alguma “mutreta”), então que assim seja! Que continuem tomando banho em 3 minutos para que não haja racionamento de água e energia! Afinal, a sina do ser humano não é aprender com os próprios erros?

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Uma triste metáfora...

Imagine um estado brasileiro... O Mato Grosso, por exemplo. Imagine que lá o povo tem uma religião diferente dos demais estados do Brasil. Imagine também que, por serem uma exceção nesse aspecto, sofreram e sofrem todo tipo de perseguição e preconceito do resto do país, e até do mundo.

Em suas escrituras, é relatado que esse povo foi capturado e escravizado por outros povos da América Latina e Central, e permaneceram assim por longas décadas, até que, em uma revolta dos escravos, liderados por um homem conhecido como “o escolhido por Deus”, se libertaram e peregrinaram rumo a “terra prometida”. Apesar de sua religião ser centralizada no Mato Grosso, existem milhares deles espalhados pelo Brasil, América e mundo afora.

Agora, imaginemos um país... A Argentina, por exemplo. Imagine que ela resolve atribuir aos mato-grossenses que residem lá toda a desgraça político-econômica que ocorre no país. Um partido argentino, chamado de “nacionalista”, culpa os parlamentares de origem mato-grossense de terem se entregado facilmente em uma guerra passada, onde foram impostas várias sanções e condições que afetaram e muito o desenvolvimento do país. Quando esse partido assume o poder, o presidente desencadeia uma terrível perseguição aos mato-grossenses, colocando-os em campos de concentração, forçando-os ao trabalho escravo e dizimando milhões deles. Essa crueldade culminou com uma guerra mundial, onde a Argentina acabou sendo derrotada.

Após esse fato (um dos mais tristes da história) a ONU, encabeçada pelos EUA, pressiona o Brasil para que se crie o Estado do Mato Grosso (um país independente). Depois de muita discussão, a criação do país Mato Grosso é aprovada, porém, o território dado parece ser insuficiente para o contingente de pessoas que lá existem. Isso se deve por conta da migração de mato-grossenses do mundo inteiro, que estão voltando para sua terra natal e lá querem se estabelecer. Assim, os EUA resolvem pedir ao Brasil que seja cedido uma parte maior do seu território para o Mato Grosso. O Brasil se recusa, e assim o Mato Grosso, com o apoio dos EUA, começa uma invasão para tomada de parte do território brasileiro.

Com poderio bélico e militar bastante inferior, o Brasil vai sucumbindo ao avanço das tropas mato-grossenses e americanas, e a derrota é iminente. Muitas mulheres e crianças brasileiras acabam sendo torturadas e mortas nos confrontos. Ao final desta guerra, o Mato Grosso acaba ficando com 55% do território, e o Brasil, com 45%. Desde então, Mato Grosso e Brasil vivem em guerra, e um acordo de paz entre ambos é uma hipótese totalmente descartada...

Assim, surge um dilema: a vítima de outrora é o algoz agora, e faz-se valer de injustiças passadas para justificar seus atos desumanos e cruéis contra um outro povo. Será mesmo que um erro pode justificar outro?

Essa triste metáfora retrata a realidade de Israel (Mato Grosso) e Palestina (Brasil)...





terça-feira, 19 de março de 2013

A linha tênue da democracia brasileira

"Tênue” é sinônimo de “frágil”, e “democracia” significa “termos livre escolha política e liberdade de expressão”.  E por que a linha da democracia brasileira é tênue, ou seja, frágil?

Todo brasileiro, por ter direito à liberdade de expressão, pode protestar contra qualquer coisa que não lhe agrade, e esse protesto pode ser feito de várias formas (manifesto, imprensa, redes sociais etc), e pode ser feito individualmente ou em grupo (sindicato, movimento estudantil etc). Contudo, o que percebemos em alguns protestos é que os manifestantes ultrapassam a linha tênue deste contexto, fazendo com que as manifestações acarretem atos de vandalismos, seguidas de ações de violência e de depravação em alguns casos, tornando isso um caso de polícia. Isso não condiz com o conceito de DEMOCRACIA!

O manifesto ocorre para mostrar descontentamento de alguém ou de uma classe, e o objetivo principal é buscar um diálogo para um entendimento entre as partes envolvidas, mas com o comportamento hostil e ânimos exaltados de algumas pessoas, fica praticamente impossível haver algum acordo. Estamos cansados de ver na TV, nos jornais e nas revistas o desfecho desses protestos, que não passam de verdadeiras balbúrdias. Esse tipo de situação está longe de ser algo civilizado!

Um caso mais recente e de grande repercussão foi na visita da cubana Yoani Sanchez ao Brasil. Ela veio com o intuito de participar de encontros e de divulgar o documentário Conexão Cuba-Honduras, a convite do cineasta Dado Galvão, que foi quem produziu o filme. Mas no dia do evento, ela foi recebida por manifestantes pró-Cuba, que não contentes em apenas mostrar cartazes de reprovação contra ela, também ofenderam-na e obrigaram os organizadores a cancelar a exibição do filme. Não bastasse isso, alguns membros do PT fizeram um dossiê difamatório contra Yoani, que acabou não sendo divulgado por denuncia da imprensa (Revista Veja).

Por mais que os protestos sejam justos, a linha tênue entre a democracia e a anarquia deve ser preservada e nunca deve ser rompida. Afinal, quem quer manter a ordem, e quem quer criar desordem?


sexta-feira, 8 de março de 2013

Sólo tienes locos aquí en América!

Ser americano, especificamente latino, é ter na alma, mesmo em pequenas proporções, tendências revolucionárias. Parece uma coisa congênita: a criança cresce, torna-se um adolescente rebelde; começa a se interessar por líderes revolucionários, principalmente Che Guevara, comprando camisas e quadros dele; torna-se um militante de esquerda; venera o socialismo e “demoniza” o capitalismo, os Estados Unidos etc. Claro, há exceções (muitas, por sinal)...

Uma das principais características desses latino-americanos é ter em Cuba o seu paraíso, um modelo a seguir, reverenciando Fidel Castro como o eterno revolucionário, salvador de Cuba e da América! Quanta utopia, e usando uma estrofe de uma música de Belchior, eu digo que “ao vivo é muito diferente, quero dizer, ao vivo é muito pior”.

A história nos mostra os fracassos dos países comunistas,  pois seu regime de “igualdade” para todos acaba sempre se tornando uma ditadura, onde a ganância dos líderes comunistas sempre acaba se sobrepondo às necessidades do povo e da nação, gerando muita desigualdade e pobreza descomunal. Isso sem mencionar a censura à imprensa, a perseguição religiosa e política, opressão aos opositores e tudo mais.

Aqui na América Latina, o mais emblemático líder de esquerda dos ultimos anos foi Hugo Chavez, mas vale ressaltar que Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa e Lula são simpatizantes do comunismo. Uma coisa em comum que vemos nesses líderes é a tentativa constante de calar a imprensa. Apesar de Dilma (discípula de Lula), ter dito que prefere o “barulho da imprensa ao silêncio da ditadura”, sabemos que muitos petistas tentaram fazer com que a imprensa se calasse (através do Órgão Regulador da Imprensa), mas não conseguiram por pressão da opinião pública e da própria imprensa. Na Argentina, Cristina Kirchner fez uma coisa semelhante, travando uma árdua batalha com o jornal El Clarín, e também tomou antigas estatais que foram privatizadas, além de querer, novamente, fazer com que as Ilhas Malvinas se tornassem território argentino (assunto para outro texto). Na Venezuela, Hugo Chavez fez o mesmo e mais um pouco: golpe de estado fracassado, promoveu a censura, alterou a constituição, entrou em atrito com líderes mundiais, ficou por quase 20 anos no poder etc, e como consequência de sua política, uma enorme crise assola a Venezuela, e agora, com sua morte, existe a probabilidade de um caos político ser instaurado no país. 

Outra coisa bastante comum nos discursos desses “revolucionários” é de que a culpa de todo o mal existente no mundo é do capitalismo. Sempre atribuem a ele os seus fracassos, usando, às vezes, teorias conspiratórias para tentar justificar sua incompetência, dizendo que a imprensa difunde mentiras para denegrir a imagem do governo, que os países ricos não querem a prosperidade de países pobres etc. No dia da morte de Hugo Chavez, o vice presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, disse que os Estados Unidos são responsáveis pelo cancer do ex-presidente. Em breve alegarão que até alienígenas estão fazendo um complô contra eles. Quanto marasmo intelectual...

Sí amigos, vivemos num continente revolucionário, de “sonhadores” na verdade, pois é como dizem: o comunismo é esplendido no papel, mas na prática não funciona. Com o tempo é que percebemos isso... Muita gente vai falar da China, um país comunista, que com certeza irá se tornar a maior potência do mundo daqui alguns anos. Não se esqueçam do trabalho escravo que existe lá, e que também a URSS era uma grande potência, e mesmo assim sucumbiu...

É claro que os ideais comunistas foram distorcidos por seus seguidores. Quando Karl Marx disse que a religião era o ópio do povo, ele não mandou fechar igrejas, perseguir e matar religiosos, como Stalin e Lenin o fizeram. Em suma, é possível que algum dia apareça um líder comunista com espírito de justiça e igualdade social que todos esperam, mas uma coisa é certa: esse líder não existe na América Latina de hoje...



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O que aconteceria se Jesus fosse um político?

Na minha adolescência, era leitor das revistas em quadrinhos de heróis da Marvel. Era publicada, eventualmente, uma série chamada “O que aconteceria se...”. O objetivo dessas estórias era mostrar o que viria a acontecer aos heróis ou vilões se a história que marcou o surgimento deles tomasse um rumo diferente. É com esse embasamento que quero formular a seguinte pergunta: o que aconteceria se Jesus fosse um político?

Muita gente associa a figura de Jesus a de um político, mas isso é totalmente errôneo. Jesus Cristo, assim como Mahatma Gandhi, Maomé e Joana D’Arc, por exemplo, era um LÍDER! A política é ciência que trata da organização e administração de assuntos internos de uma nação. É preciso ter esse discernimento, pois os conceitos se equivalem.

Vamos imaginar o seguinte cenário: Jesus, estando frente a frente com Pôncio Pilatos, lhe faz uma proposta de união com Roma e com César. Afinal, com a liderança crescente de Jesus sobre os pobres e oprimidos, e com o poder do Império Romano, ficaria mais fácil para ele propagar os seus ensinamentos pelo mundo afora. E claro, o Império Romano também colheria bons frutos com essa união, pois Jesus tinha forte influência sobre as pessoas, e poderia, dessa forma, conter futuras rebeliões. Essa união evitaria a perseguição que, tempos depois, sofreriam seus seguidores e ele próprio; evitaria sua crucificação; evitaria inúmeras mortes em seu nome etc. Então, por que Jesus não se aliou a Roma e não se tornou um político?

Questão fácil de responder, que qualquer cristão de qualquer religião responderá instantaneamente. Mas eu garanto que obteremos respostas simples e vagas, como “porque era o seu destino morrer na cruz”, “porque ele era filho de Deus”, “porque ele veio pra nos salvar” etc. Eu também tenho uma resposta, mas um pouco diferente:

Teoricamente, como citei no 2º parágrafo, a palavra “política” remete a “governo”, e “políticos no governo” (deputados, senadores, prefeitos etc) nos faz lembrar de CORRUPÇÃO, ou seja, coloquialmente falando, o sistema é podre. A corrupção dentro da política existe desde os primórdios dessa prática (não é uma particularidade brasileira), e com o Império Romano não era diferente, pois cobravam impostos abusivos, cometiam várias injustiças contra os pobres, promoviam guerras contra outros povos e os escravizavam etc, ou seja, ali a corrupção imperava! Sendo assim, não teria sentido se Jesus, o filho de Deus, cuja missão era interceder pelos mais necessitados, fizesse uma aliança com Roma. Repito, JESUS NÃO ERA POLÍTICO, ERA LÍDER! E SEU OBJETIVO ERA OUTRO!

E por que escrevi essa estória?

Tempos atrás fiz um texto (E Deus disse: Ide e Votai) criticando a nova tendência da política brasileira: a ascensão evangélica na política! Bancada evangélica presente no congresso, nas assembleias legislativas, nas câmaras de vereadores, nas prefeituras etc. Líderes de seitas como Valdemiro Santiago, Silas Malafaia, Edir Macedo (sempre eles) deixaram claro que pretendem sim se envolver na política e que acham isso certo, fazendo de seus cultos verdadeiros palanques eleitorais para angariar votos a seus candidatos. Eles alegam  que seus pastores têm o direito de candidatar-se, pois são cidadãos como qualquer outro (o que não deixa de ser verdade). Mas agindo dessa forma, eles estão deixando de lado as suas verdadeiras missões e não podem se considerarem cristãos! Penso que as atribuições de alguém que se diz “pastor” ou “padre” estão muito além desses interesses políticos. Fé cristã e política não se misturam!

Vamos pensar da seguinte forma: se Cristo não forjou alianças políticas, como esses pastores ou padres se acham no direito de o fazerem, usando seu nome para isso? É muita insolência, que merece total desprezo dos fiéis! (é uma pena que, por conta da ignorância e alienação, os fiéis são facilmente logrados por esses mentirosos)

Em minha cidade, um “missionário” que foi eleito vereador começou bem seu mandato, colocando “alguém de sua confiança” para trabalhar na Prefeitura, ganhando mais que funcionários concursados e exercendo a mesma função que eles... Louvados sejam os eleitores desse homem...

Encerro esse texto com um dos maiores ensinamentos de Cristo, que pelo teor das suas palavras, deve causar certa repugnância quando chegam aos ouvidos desses charlatões:

            “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.