quinta-feira, 11 de abril de 2013

Uma triste metáfora...

Imagine um estado brasileiro... O Mato Grosso, por exemplo. Imagine que lá o povo tem uma religião diferente dos demais estados do Brasil. Imagine também que, por serem uma exceção nesse aspecto, sofreram e sofrem todo tipo de perseguição e preconceito do resto do país, e até do mundo.

Em suas escrituras, é relatado que esse povo foi capturado e escravizado por outros povos da América Latina e Central, e permaneceram assim por longas décadas, até que, em uma revolta dos escravos, liderados por um homem conhecido como “o escolhido por Deus”, se libertaram e peregrinaram rumo a “terra prometida”. Apesar de sua religião ser centralizada no Mato Grosso, existem milhares deles espalhados pelo Brasil, América e mundo afora.

Agora, imaginemos um país... A Argentina, por exemplo. Imagine que ela resolve atribuir aos mato-grossenses que residem lá toda a desgraça político-econômica que ocorre no país. Um partido argentino, chamado de “nacionalista”, culpa os parlamentares de origem mato-grossense de terem se entregado facilmente em uma guerra passada, onde foram impostas várias sanções e condições que afetaram e muito o desenvolvimento do país. Quando esse partido assume o poder, o presidente desencadeia uma terrível perseguição aos mato-grossenses, colocando-os em campos de concentração, forçando-os ao trabalho escravo e dizimando milhões deles. Essa crueldade culminou com uma guerra mundial, onde a Argentina acabou sendo derrotada.

Após esse fato (um dos mais tristes da história) a ONU, encabeçada pelos EUA, pressiona o Brasil para que se crie o Estado do Mato Grosso (um país independente). Depois de muita discussão, a criação do país Mato Grosso é aprovada, porém, o território dado parece ser insuficiente para o contingente de pessoas que lá existem. Isso se deve por conta da migração de mato-grossenses do mundo inteiro, que estão voltando para sua terra natal e lá querem se estabelecer. Assim, os EUA resolvem pedir ao Brasil que seja cedido uma parte maior do seu território para o Mato Grosso. O Brasil se recusa, e assim o Mato Grosso, com o apoio dos EUA, começa uma invasão para tomada de parte do território brasileiro.

Com poderio bélico e militar bastante inferior, o Brasil vai sucumbindo ao avanço das tropas mato-grossenses e americanas, e a derrota é iminente. Muitas mulheres e crianças brasileiras acabam sendo torturadas e mortas nos confrontos. Ao final desta guerra, o Mato Grosso acaba ficando com 55% do território, e o Brasil, com 45%. Desde então, Mato Grosso e Brasil vivem em guerra, e um acordo de paz entre ambos é uma hipótese totalmente descartada...

Assim, surge um dilema: a vítima de outrora é o algoz agora, e faz-se valer de injustiças passadas para justificar seus atos desumanos e cruéis contra um outro povo. Será mesmo que um erro pode justificar outro?

Essa triste metáfora retrata a realidade de Israel (Mato Grosso) e Palestina (Brasil)...





terça-feira, 19 de março de 2013

A linha tênue da democracia brasileira

"Tênue” é sinônimo de “frágil”, e “democracia” significa “termos livre escolha política e liberdade de expressão”.  E por que a linha da democracia brasileira é tênue, ou seja, frágil?

Todo brasileiro, por ter direito à liberdade de expressão, pode protestar contra qualquer coisa que não lhe agrade, e esse protesto pode ser feito de várias formas (manifesto, imprensa, redes sociais etc), e pode ser feito individualmente ou em grupo (sindicato, movimento estudantil etc). Contudo, o que percebemos em alguns protestos é que os manifestantes ultrapassam a linha tênue deste contexto, fazendo com que as manifestações acarretem atos de vandalismos, seguidas de ações de violência e de depravação em alguns casos, tornando isso um caso de polícia. Isso não condiz com o conceito de DEMOCRACIA!

O manifesto ocorre para mostrar descontentamento de alguém ou de uma classe, e o objetivo principal é buscar um diálogo para um entendimento entre as partes envolvidas, mas com o comportamento hostil e ânimos exaltados de algumas pessoas, fica praticamente impossível haver algum acordo. Estamos cansados de ver na TV, nos jornais e nas revistas o desfecho desses protestos, que não passam de verdadeiras balbúrdias. Esse tipo de situação está longe de ser algo civilizado!

Um caso mais recente e de grande repercussão foi na visita da cubana Yoani Sanchez ao Brasil. Ela veio com o intuito de participar de encontros e de divulgar o documentário Conexão Cuba-Honduras, a convite do cineasta Dado Galvão, que foi quem produziu o filme. Mas no dia do evento, ela foi recebida por manifestantes pró-Cuba, que não contentes em apenas mostrar cartazes de reprovação contra ela, também ofenderam-na e obrigaram os organizadores a cancelar a exibição do filme. Não bastasse isso, alguns membros do PT fizeram um dossiê difamatório contra Yoani, que acabou não sendo divulgado por denuncia da imprensa (Revista Veja).

Por mais que os protestos sejam justos, a linha tênue entre a democracia e a anarquia deve ser preservada e nunca deve ser rompida. Afinal, quem quer manter a ordem, e quem quer criar desordem?


sexta-feira, 8 de março de 2013

Sólo tienes locos aquí en América!

Ser americano, especificamente latino, é ter na alma, mesmo em pequenas proporções, tendências revolucionárias. Parece uma coisa congênita: a criança cresce, torna-se um adolescente rebelde; começa a se interessar por líderes revolucionários, principalmente Che Guevara, comprando camisas e quadros dele; torna-se um militante de esquerda; venera o socialismo e “demoniza” o capitalismo, os Estados Unidos etc. Claro, há exceções (muitas, por sinal)...

Uma das principais características desses latino-americanos é ter em Cuba o seu paraíso, um modelo a seguir, reverenciando Fidel Castro como o eterno revolucionário, salvador de Cuba e da América! Quanta utopia, e usando uma estrofe de uma música de Belchior, eu digo que “ao vivo é muito diferente, quero dizer, ao vivo é muito pior”.

A história nos mostra os fracassos dos países comunistas,  pois seu regime de “igualdade” para todos acaba sempre se tornando uma ditadura, onde a ganância dos líderes comunistas sempre acaba se sobrepondo às necessidades do povo e da nação, gerando muita desigualdade e pobreza descomunal. Isso sem mencionar a censura à imprensa, a perseguição religiosa e política, opressão aos opositores e tudo mais.

Aqui na América Latina, o mais emblemático líder de esquerda dos ultimos anos foi Hugo Chavez, mas vale ressaltar que Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa e Lula são simpatizantes do comunismo. Uma coisa em comum que vemos nesses líderes é a tentativa constante de calar a imprensa. Apesar de Dilma (discípula de Lula), ter dito que prefere o “barulho da imprensa ao silêncio da ditadura”, sabemos que muitos petistas tentaram fazer com que a imprensa se calasse (através do Órgão Regulador da Imprensa), mas não conseguiram por pressão da opinião pública e da própria imprensa. Na Argentina, Cristina Kirchner fez uma coisa semelhante, travando uma árdua batalha com o jornal El Clarín, e também tomou antigas estatais que foram privatizadas, além de querer, novamente, fazer com que as Ilhas Malvinas se tornassem território argentino (assunto para outro texto). Na Venezuela, Hugo Chavez fez o mesmo e mais um pouco: golpe de estado fracassado, promoveu a censura, alterou a constituição, entrou em atrito com líderes mundiais, ficou por quase 20 anos no poder etc, e como consequência de sua política, uma enorme crise assola a Venezuela, e agora, com sua morte, existe a probabilidade de um caos político ser instaurado no país. 

Outra coisa bastante comum nos discursos desses “revolucionários” é de que a culpa de todo o mal existente no mundo é do capitalismo. Sempre atribuem a ele os seus fracassos, usando, às vezes, teorias conspiratórias para tentar justificar sua incompetência, dizendo que a imprensa difunde mentiras para denegrir a imagem do governo, que os países ricos não querem a prosperidade de países pobres etc. No dia da morte de Hugo Chavez, o vice presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, disse que os Estados Unidos são responsáveis pelo cancer do ex-presidente. Em breve alegarão que até alienígenas estão fazendo um complô contra eles. Quanto marasmo intelectual...

Sí amigos, vivemos num continente revolucionário, de “sonhadores” na verdade, pois é como dizem: o comunismo é esplendido no papel, mas na prática não funciona. Com o tempo é que percebemos isso... Muita gente vai falar da China, um país comunista, que com certeza irá se tornar a maior potência do mundo daqui alguns anos. Não se esqueçam do trabalho escravo que existe lá, e que também a URSS era uma grande potência, e mesmo assim sucumbiu...

É claro que os ideais comunistas foram distorcidos por seus seguidores. Quando Karl Marx disse que a religião era o ópio do povo, ele não mandou fechar igrejas, perseguir e matar religiosos, como Stalin e Lenin o fizeram. Em suma, é possível que algum dia apareça um líder comunista com espírito de justiça e igualdade social que todos esperam, mas uma coisa é certa: esse líder não existe na América Latina de hoje...



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O que aconteceria se Jesus fosse um político?

Na minha adolescência, era leitor das revistas em quadrinhos de heróis da Marvel. Era publicada, eventualmente, uma série chamada “O que aconteceria se...”. O objetivo dessas estórias era mostrar o que viria a acontecer aos heróis ou vilões se a história que marcou o surgimento deles tomasse um rumo diferente. É com esse embasamento que quero formular a seguinte pergunta: o que aconteceria se Jesus fosse um político?

Muita gente associa a figura de Jesus a de um político, mas isso é totalmente errôneo. Jesus Cristo, assim como Mahatma Gandhi, Maomé e Joana D’Arc, por exemplo, era um LÍDER! A política é ciência que trata da organização e administração de assuntos internos de uma nação. É preciso ter esse discernimento, pois os conceitos se equivalem.

Vamos imaginar o seguinte cenário: Jesus, estando frente a frente com Pôncio Pilatos, lhe faz uma proposta de união com Roma e com César. Afinal, com a liderança crescente de Jesus sobre os pobres e oprimidos, e com o poder do Império Romano, ficaria mais fácil para ele propagar os seus ensinamentos pelo mundo afora. E claro, o Império Romano também colheria bons frutos com essa união, pois Jesus tinha forte influência sobre as pessoas, e poderia, dessa forma, conter futuras rebeliões. Essa união evitaria a perseguição que, tempos depois, sofreriam seus seguidores e ele próprio; evitaria sua crucificação; evitaria inúmeras mortes em seu nome etc. Então, por que Jesus não se aliou a Roma e não se tornou um político?

Questão fácil de responder, que qualquer cristão de qualquer religião responderá instantaneamente. Mas eu garanto que obteremos respostas simples e vagas, como “porque era o seu destino morrer na cruz”, “porque ele era filho de Deus”, “porque ele veio pra nos salvar” etc. Eu também tenho uma resposta, mas um pouco diferente:

Teoricamente, como citei no 2º parágrafo, a palavra “política” remete a “governo”, e “políticos no governo” (deputados, senadores, prefeitos etc) nos faz lembrar de CORRUPÇÃO, ou seja, coloquialmente falando, o sistema é podre. A corrupção dentro da política existe desde os primórdios dessa prática (não é uma particularidade brasileira), e com o Império Romano não era diferente, pois cobravam impostos abusivos, cometiam várias injustiças contra os pobres, promoviam guerras contra outros povos e os escravizavam etc, ou seja, ali a corrupção imperava! Sendo assim, não teria sentido se Jesus, o filho de Deus, cuja missão era interceder pelos mais necessitados, fizesse uma aliança com Roma. Repito, JESUS NÃO ERA POLÍTICO, ERA LÍDER! E SEU OBJETIVO ERA OUTRO!

E por que escrevi essa estória?

Tempos atrás fiz um texto (E Deus disse: Ide e Votai) criticando a nova tendência da política brasileira: a ascensão evangélica na política! Bancada evangélica presente no congresso, nas assembleias legislativas, nas câmaras de vereadores, nas prefeituras etc. Líderes de seitas como Valdemiro Santiago, Silas Malafaia, Edir Macedo (sempre eles) deixaram claro que pretendem sim se envolver na política e que acham isso certo, fazendo de seus cultos verdadeiros palanques eleitorais para angariar votos a seus candidatos. Eles alegam  que seus pastores têm o direito de candidatar-se, pois são cidadãos como qualquer outro (o que não deixa de ser verdade). Mas agindo dessa forma, eles estão deixando de lado as suas verdadeiras missões e não podem se considerarem cristãos! Penso que as atribuições de alguém que se diz “pastor” ou “padre” estão muito além desses interesses políticos. Fé cristã e política não se misturam!

Vamos pensar da seguinte forma: se Cristo não forjou alianças políticas, como esses pastores ou padres se acham no direito de o fazerem, usando seu nome para isso? É muita insolência, que merece total desprezo dos fiéis! (é uma pena que, por conta da ignorância e alienação, os fiéis são facilmente logrados por esses mentirosos)

Em minha cidade, um “missionário” que foi eleito vereador começou bem seu mandato, colocando “alguém de sua confiança” para trabalhar na Prefeitura, ganhando mais que funcionários concursados e exercendo a mesma função que eles... Louvados sejam os eleitores desse homem...

Encerro esse texto com um dos maiores ensinamentos de Cristo, que pelo teor das suas palavras, deve causar certa repugnância quando chegam aos ouvidos desses charlatões:

            “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

D'oh de Verão

D’oh de Verão I: Os maias erraram feio... O mundo não acabou em 21/12/2012...

D’oh de Verão II: Em compensação, já temos outra data para um possível fim: 13/04/2036!

D’oh de Verão III: Cientistas dizem que o meteoro Apophis pode colidir com a Terra nessa data... Agora a porra ficou séria!

D’oh de Verão IV: Chegou o verão, e com ele, uma coisa muito comum que atormenta a vida de todos...

D’oh de Verão V: Calor? Não, estou falando das enchentes...

D’oh de Verão VI: Ano novo, vida nova, alagamentos novos... As mesmas casas, as mesmas pessoas, o mesmo sofrimento...

D’oh de Verão VII: Não há o que fazer né? Afinal, o Governo não tem culpa de chover forte todo janeiro (ironia do dia)...

D’oh de Verão VIII: Cúmulo do óbvio 2012: Messi é eleito o melhor jogador do mundo pela 4ª vez seguida...

D’oh de Verão IX: Em Sorocaba existe uma lei para que o correntista não fique mais de 15 minutos nas filas dos bancos...

D’oh de Verão X: Que tal resolverem os problemas de saúde, educação, segurança, habitação etc em 15 dias? 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

SS: Schindler e Stauffenberg

Oskar Schindler e Claus Philipp Schenk Graf Von Stauffenberg (ou simplesmente coronel Stauffenberg) foram, sem dúvida, os grandes expoentes anti-nazistas da história alemã.

Inicialmente, podemos dizer que Oskar Schindler não era assim tão altruísta. Ele era membro do Partido Nazista, e aproveitando-se da situação de guerra da qual a Alemanha vivia, ele montou uma fábrica de armas na cidade polonesa de Cracóvia. Os empregados de sua fábrica eram todos judeus, que trabalhavam o dia todo nela e voltavam à noite para o campo de concentração de Plaszow.

Em 1944, a direção de Plaszow recebeu ordens do alto comando para desativar o campo de concentração, em virtude do avanço das tropas russas. Os judeus residentes de Plaszow teriam que ser transferidos para outro campo de concentração, onde seriam mortos. Schindler alegou que a mão de obra dos judeus em sua fábrica era imprescindível, e subornou os administradores do campo de concentração para que não os enviassem para a morte. Então Schindler fez uma lista de nomes, a famosa LISTA DE SCHINDLER, e com isso ele salvou a vida de 1.200 judeus dentre homens, mulheres e crianças. Os judeus dessa lista foram mandados para sua nova fábrica, que ficava na cidade de Zwittau-Brinnlitz. Mas dessa vez, os judeus não foram a essa fábrica para trabalhar, e sim para viverem em um lugar seguro até o desfecho da guerra. A fábrica era somente uma fachada...

Ao fim da guerra, com a Alemanha já tomada pelos Aliados, Schindler escapou da prisão graças ao depoimento de vários judeus a quem ajudara. Por conta disso, ele foi agraciado com uma pensão vitalícia dada pelo governo de Israel, em agradecimento pelo que fez àquelas pessoas. Em 9 de outubro de 1974, veio a falecer, e seu corpo está enterrado no cemitério de Monte Sião, em Jerusalém, com honras de herói.

Stauffenberg foi um coronel alemão na 2ª Guerra Mundial. Ferido num ataque aéreo em 1943, ele perdeu 2 dedos da mão esquerda, a mão direita e o olho esquerdo. Esse foi o divisor de águas na vida do coronel Stauffenberg, que já não concordava com o rumo que a Alemanha de Hitler estava tomando, e decidiu entrar para um grupo secreto de rebeldes, formado por vários oficiais nazistas e outras pessoas. O objetivo desse grupo era claro: matar Hitler e toda a cúpula do alto comando nazista e render-se aos Aliados. Para isso, elaboraram a OPERAÇÃO VALQUÍRIA.

A Operação Valquíria foi uma medida criada por Hitler para conter inquietações internas, mas Stauffenberg, agora promovido a Oficial do Estado Maior, fez várias mudanças no texto da operação. Com a assinatura de Hitler, Stauffenberg fez com que a Operação Valquíria se tornasse um testamento, e caso o Fuher viesse a falecer, através dela seria decidido o rumo que a Alemanha tomaria. Estava tudo pronto para o golpe de estado...

A reunião da cúpula nazista na Toca do Lobo, em 20 de julho de 1944, foi o momento perfeito para o atentado. Stauffenberg levou consigo dois explosivos, mas conseguiu armar apenas um, e os deixou em uma bolsa, debaixo da mesa da reunião, ao lado de Hitler. Ele arrumou uma desculpa para deixar a sala de conferências, e logo ocorreu a explosão.

Imediatamente Stauffenberg e os demais conspiradores iniciaram a Operação Valquíria, espalhando por telefone a notícia da morte de Hitler. Duas horas depois, a notícia é desmentida, pois Hitler sobreviveu ao ataque, e Stauffenberg e os membros da resistência foram presos e mortos. Esse foi o 15° atentado realizado contra Hitler.

Dessas histórias surgiram os filmes A LISTA DE SCHINDLER e OPERAÇÃO VALQUÍRIA, que são verdadeiras lições de compaixão e de heroísmo. No decorrer dos tempos, as lendas de Oscar Schindler e do Coronel von Stauffenbeg ecoarão para sempre na história da humanidade.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Gessingerismo Musical



Beto Gessinger é um compositor, cantor e multi-instrumentista gaúcho. É líder de uma das maiores bandas do rock nacional: os Engenheiros do Hawaii. Dentre tantas formações que a banda teve, ele foi o único que permaneceu nela até os dias atuais.

As letras compostas por Beto Gessinger são, para mim, coisas de gênio, e para outros, letras sem fundamentos. Elas são embasadas em história, atualidades, cultura gaúcha, críticas político-sociais e também no amor (é claro). Mas o que realmente impressiona é o paradoxo usado por ele em muitas letras. Diversos trocadilhos, como “mas o quase tudo quase sempre é quase nada”, dá um destaque peculiar às suas canções. Não teve outro grande nome do Rock nacional que soube tão bem explorar o sentido das palavras, fazendo com que mesmas palavras tivessem outros sentidos (caramba, consegui fazer um trocadilho “gessingerístico”!). Não sou expert em MPB, mas do pouco que conheço, nunca vi nada similar...

“Ano 2000 era futuro, há pouco tempo atrás” (da canção Túnel do Tempo)

“Mas não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir” (da canção Infinita Highway)

“Todos iguais, todos iguais, mas uns mais iguais que os outros” (da canção Ninguém=Ninguém)

“A medida de amar, é amar sem medida” (da canção Números)

Não importa se só tocam, o primeiro verso da canção, a gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão” (da canção Exército de um Homem Só)

“Para-raios em dia de sol para mim” (da canção Parabólica)

“Somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos" (da canção Pra ser Sincero)

Descrevo essas letras com apenas uma palavra, no plural: FANTÁSTICAS! Beto Gessinger está no nível dos maiores poetas musicais brasileiros. Encerro essa homenagem com a canção que, em minha opinião, é a mais repleta de paradoxos, antíteses e trocadilhos que já vi (e ouvi)... Chama-se MUROS E GRADES!


Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia
O medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido
Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre cobras
Entre as sobras
Da nossa escassez
Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre sombras
Entre escombros
Da nossa solidez
Nas grandes cidades de um país tão surreal
Os muros e as grades
Nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo prá descobrir
Que não é por aí...não é por nada não
Não, não pode ser...é claro que não é
Será?


Meninos de rua, delírios de ruína
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida, faz seu trottoir
Em armar de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear!
Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre cobras
Entre as sobras
Da nossa escassez
Viver assim é um absurdo
Como outro qualquer
Como tentar um suicídio
Ou amar uma mulher